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Em que lugar eu estou na minha vida?
 

Por Alexandra Alves
Analista Comportamental
Diretora AME


Nós, mulheres, assumimos tantos papéis, impostos, que acabamos esquecendo de como é sermos nós mesmas. É o papel de mãe, de esposa, de filha, de amiga... e quando não conseguimos dar conta de todos eles, bate a culpa. Ela chega com um peso tão grande, que eu não consigo dar continuidade aos outros afazeres. A mente me cobra, me culpa e me acusa por mais um dia ter sido incapaz de viver tudo aquilo que estava no script. Todos os dias acordamos tentando ser, viver, sentir e suprir todas as expectativas de uma vida, mas na verdade não relativas apenas a minha própria vida, mas referentes a milhares de vidas que se misturaram à minha. São tantas histórias que, por conta disso, a vida vira um turbilhão de sentimentos, imagens e expectativas - carregados de significados e emoções. Chega uma hora que não sabemos mais o que é nosso e o que é do outro e, na tentativa de ser algo ou alguém, não somos ninguém. Resultado? Depressão, tristeza, angústia, pânico. - Quem eu sou?



No meio disso tudo, sou vazia, sou um corpo que anda, mas não sente, afinal, ai de mim! Quem sou eu para sentir algo, ser fraca, reclamar ou sofrer? Minha mente não permite, meus personagens não permitem e, em meio a tudo isso, o que me resta? Engolir o choro. Afinal, foi assim que aprendi desde criança: engolir, calar, não pensar e não me observar foi a solução para tudo. Resultado? Crescemos olhando para fora, nunca para dentro. Para muitas mulheres é como se fossem ocas, como se não se reconhecessem, como se não existisse nada lá dentro. Solução? O caminho é longo, porém, muito valioso e começa pela desconstrução de vários personagens e papeis que recebemos e criamos no decorrer da vida. O começo não é fácil, mas é muito valioso e profundo, pois a jornada do autoconhecimento funciona como se estivéssemos arrumando as gavetas e jogando fora algumas roupas que já não nos servem mais. Às vezes o desapego não é fácil devido aos significados, histórias e toda a emoção que está vinculada a elas. Porém, sair e comprar novas peças, experimentar cores novas, pode ser divertido e dar up na vida. Tudo se torna mais leve e começamos a criar novas possibilidades. A alma sorri.

Assim é a vida. Para começar uma nova história de amor consigo mesma é necessário se desvincular do passado, olhar para o presente e saber o que queremos levar adiante. O passado serve como referência para sabermos o que nos trouxe até aqui e, nessa observação, análise e desprendimento, ficamos com o que é nosso - o presente - com o que temos e o que vale a pena. Olhar para o futuro é fundamental porque serve de direção, mas é na jornada que tudo faz sentido. É quando estamos instalados no presente, que descobrimos quem somos, o que gostamos ou não, e o que precisa ser mudado ou lapidado. Nesse processo, descobrimos que a vida é infinita, que não existem limites. Quem limita é a própria mente tentando nos enquadrar em determinados padrões.